| Litoral Norte, 30 de abril de
2000 |
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Estátua de Anchieta vira
sinal de praga
Padre diz que tudo não passa de lenda
Estátua
de Anchieta vira sinal de praga
Comunidade se reúne para exorcizar
imagem do padre Jesuíta, que fica em praia de Ubatuba
A estátua do padre jesuíta Anchieta, colocada na praia do
Cruzeiro, na região central de Ubatuba, é apontada pelos
moradores como a responsável pelas crises políticas e
econômicas vividas no município. "Desde que colocaram
essa imagem na praia tudo quanto foi problema político a
cidade vivenciou. Nada foi feito para crescimento do
município", diz uma moradora que preferiu não se
identificar. Ela se refere às denúncias de fraude eleitoral
que envolvem o prefeito afastado Zizinho Vigneron (PPS), o
fato do município ter tido três prefeito em 10 dias no
início do ano, as investigações de suborno contra 10 dos 13
vereadores, entre outras. A moradora relata que, ao participar
de uma palestra em São Paulo sobre divinismo, o palestrante
afirmou que o povo de Ubatuba cultua a imagem de um carrasco.
Tempos depois, ela afirmou ter ido a um culto na Igreja
Messiânica e a ministra, que era de Parati (RJ), alertou que
Ubatuba estava com muita energia negativa. Ela foi à praia e,
ao ver a imagem que retrata o padre quando escreveu o
"Poema da Virgem", em 1563, nas areias de Iperoig,
chamou à atenção para o fato de a varinha ter sido retirada
das mãos da estátua e o atual gesto dar a impressão dela
estar fazendo um gesto obsceno para a cidade.
Membros da comunidade evangélica Ágape realizaram um culto
no aniversário de descobrimento do Brasil para que, segundo o
pastor Alexandre Amaral Nunes, pudesse afastar ações
malígnas que pairavam sobre a cidade. No entender do pastor
Alexandre Nunes, que também é médico veterinário, tudo que
se tenta fazer na cidade não dá certo. "Tem alguma
coisa que faz a cidade andar para trás." Os preparativos
para a exorcização começaram há alguns meses quando ele
disse ter recebido uma mensagem de Deus para que realizasse
cultos em 11 pontos da cidade. Ele não quis revelar os
locais.
O comerciante Jehu Tamotso Tozaki também se sente atingido
pela situação de Ubatuba. Segundo ele, há cerca de dois
anos que o município "travou". Tozaki está indo
embora para Fortaleza (CE). O arquiteto Renato Nunes vê essa
situação de uma forma mais humorada. Ele afirmou que, de
tanto ouvir sobre a praga jogada pelo chefe da tribo
Tupinambá, que teria sido traído pelo padre Anchieta,
escreveu uma crônica "A Maldição de Cunhambebe".
Contam os mais antigos e 'curiosos' que o índio foi atacado
na praia de Iperoig e, pouco antes de sua morte, teria dito
"nessa terra nada vingará". "O engraçado é
que nem manga nasce nos limites de Ubatuba. Os pés só
florescem até as divisas." (Fonte:
ValeParaibano)
Padre
diz que tudo não passa de lenda
A comunidade católica de Ubatuba não dá crédito às
crendices do povo, que acredita que a cidade esteja sobre os
maus fluídos da estátua do padre Anchieta. O frei Gastone
Pozzobon, da paróquia Exaltação à Santa Cruz, afirmou que
tudo não passa de uma lenda. "Outras cidades também
têm seus problemas, mas o povo que trabalha consegue ir para
frente." O prefeito afastado Zizinho Vigneron, professor
de história, autorizou a colocação da imagem do padre
Anchieta no primeiro ano de sua administração, em 1997.
"Acho que as pessoas deveriam se preocupar com as coisas
positivas e não ficar valorizando o mal."
Segundo Zizinho, é preciso analisar o contexto histórico
porque no século 16 as pessoas vivenciavam uma outra
realidade. Para o prefeito em exercício, Andrade Henrique
(PFL), a maldição é feita pelo próprio homem. "A
cidade está caminhando para frente e não há nenhuma
intenção de retirar a imagem do padre Anchieta da
praia", disse.
(Fonte: ValeParaibano)

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