| Litoral Norte, 05 de maio de
2000 |
Arquivo |
Zizinho volta à
Prefeitura de Ubatuba
Prefeito não comenta sentença
O vaivém na prefeitura
Fundart pode ser extinta
III Festival do Camarão de Caraguatatuba
Zizinho
volta à Prefeitura de Ubatuba
Prefeito afastado obtém sentença
favorável à retomada de cargo; secretários também voltam
O prefeito afastado de Ubatuba, Zizinho Vigneron (PPS), que
deixou a prefeitura em dezembro do ano passado, pode retornar
ainda hoje para o cargo. O STJ (Superior Tribunal de
Justiça), em Brasília, concedeu anteontem liminar favorável
à sua permanência no cargo. Zizinho, o vice-prefeito
Rogério Frediani (PFL) e o ex-chefe de Gabinete, Délcio
Sato, são acusados de terem cometido fraude eleitoral em
processo de filiação partidária do prefeito em 95 (leia
texto nesta página).
A decisão do ministro Franciulli Netto, do STJ, pegou
Vigneron de surpresa. Ele disse que um recurso deveria ser
julgado esta semana, mas foi pedida a prorrogação para que
seus advogados pudessem juntar novas provas. "Não sabia
que a liminar anterior havia sido derrubada." A
confirmação da decisão foi dada ontem à tarde, quando o
prefeito afastado afirmou que nada mais o impede de retornar
à prefeitura ainda hoje. "Meu advogado (Alberto Rollo)
está trazendo uma cópia da sentença do ministro e, após a
Justiça e a Câmara serem informadas, eu voltarei". O
documento deverá ser entregue ao juiz da 1º Vara Cível,
Carlos Guttemberg. Junto com Zizinho, devem retornar à
prefeitura os secretários municipais e diretores que foram
exonerados quando o prefeito em exercício, Andrade Henrique
dos Santos (PFL), tomou posse, em janeiro (leia texto nesta
página). Ontem, o clima na Prefeitura de Ubatuba era de
incerteza e expectativa. Muitos funcionários não sabem como
ficará a situação com a volta do prefeito afastado.
SEM RECURSO - Segundo a assessoria jurídica de Zizinho
Vigneron, a decisão do STJ é definitiva. Ou seja, não
haveria possibilidade de recursos pelas partes interessadas -
o prefeito em exercício e o Ministério Público, autor da
ação que culminou com o afastamento de Zizinho. Em seu
despacho, o ministro Franciulli Netto considera que Zizinho
não foi condenado no processo inicial, o que não justifica o
seu afastamento. A decisão, segundo o STJ, é válida até o
julgamento da ação inicial, que tramita no Fórum de
Ubatuba. A Promotoria Pública de Ubatuba informou ontem que o
MP não deve adotar novas medidas com relação ao pedido de
afastamento. (Fonte: ValeParaibano)
Prefeito
não comenta sentença
O prefeito de Ubatuba em exercício, Andrade Henrique dos
Santos, disse ter sido informado sobre a decisão do STJ por
meio de um telefonema de assessores da prefeitura. Ele não
quis comentar o assunto ontem, alegando que não poderia se
manifestar porque não havia sido notificado oficialmente pela
Justiça. Aliados de Zizinho Vigneron comemoram a decisão do
STJ e já planejam uma reforma administrativa na prefeitura.
Zizinho disse ontem ao ValeParaibano que os 10 secretários e
diretores que foram exonerados no início da atual
administração serão convidados a reassumir seus cargos.
A exceção é o ex-chefe de Gabinete, Délcio Sato, que
também havia sido afastado do cargo. Sato vai disputar uma
vaga na Câmara. O ex-secretário municipal de Finanças
Januário Sassano, disse ontem que ainda não recebeu nenhuma
informação, mas "se receber convite de Zizinho,
aceita". A confirmação do retorno de Zizinho agradou
funcionários da Fundart (Fundação de Arte e Cultura de
Ubatuba). A fundação esteve ameaçada de ser extinta pelo
prefeito em exercício e conseguiu liminar na Justiça para
evitar que o projeto fosse votado pela Câmara. Para o
vereador José Cândido de Souza (PPS), que assumiu a
prefeitura por 11 dias, antes de Andrade, Zizinho foi eleito e
tem que terminar o mandato. (Fonte: ValeParaibano)
O
vaivém na prefeitura
A crise política em Ubatuba começou em 96, quando o
diretório do PSB denunciou à Justiça Eleitoral a
existência de indícios de irregularidades no registro da
filiação de Zizinho Vigneron ao PRP. O prazo para a mudança
havia se encerrado no dia 15 de dezembro de 95, mas teria sido
feita uma alteração no livro para que Zizinho pudesse se
desfiliar do PMN e ingressar no PRP. A rasura no livro do
cartório eleitoral foi comprovada e a Justiça acatou as
denúncias e determinou que a Polícia Federal instaurasse
inquérito para investigar o caso.
Em novembro de 98, o promotor de Ubatuba Darlan Marques, moveu
ação pedindo o afastamento temporário do prefeito para que
as investigações pudessem ser feita. O pedido foi rejeitado
em primeira instância pela juíza Sônia Nazaré Fraga, mas o
Ministério Público recorreu. Em novembro de 99, o Tribunal
de Justiça de São Paulo determinou o afastamento de Zizinho
e de todos os envolvidos na ação. No final de dezembro,
Zizinho deixa a prefeitura. Assume o então presidente da
Câmara, José Cândido de Souza (PPS) assumiu o cargo vago.
Zizinho e o vice-prefeito Rogério Frediani entram com recurso
do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Com a virada do ano,
Andrade Henrique dos Santos (PFL) assumiu a presidência da
Câmara e, após diversas batalhas jurídicas, tomou posse
como prefeito em exercício no dia 9 de janeiro. O município
teve três prefeitos em 10 dias. No final de abril, os
acusados de fraude eleitoral são ouvidos pelo juiz da 1º
Vara Cível, Carlos Guttemberg. A ex-chefe do cartório,
Silvana Camargo de Matheus, disse ao juiz que havia mentido em
seu primeiro depoimento --no qual acusava Frediani de ter
participado da fraude. (Fonte: ValeParaibano)
Fundart
pode ser extinta
Depois de 13 anos em funcionamento, a Fundart (Fundação de
Arte e Cultura de Ubatuba) corre o risco de ser extinta. O
rumo da instituição por enquanto está indefinido. Em abril,
o prefeito em exercício Andrade Henrique dos Santos (PFL)
apresentou um projeto de lei criando a Secretaria Municipal de
Arte e Cultura e extinguindo a Fundart. A medida, segundo ele,
reduziria os gastos com a Cultura no município. O projeto
não chegou a ser votado pela Câmara porque o Conselho
Deliberativo da Fundação conseguiu uma liminar, concedida
pelo juiz da 1ª Vara Cível, Carlos Guttemberg de Santis
Cunha, que suspendeu a votação do projeto. A prefeitura
recorreu da decisão. Henrique dos Santos assumiu a prefeitura
de Ubatuba em janeiro, em substituição ao prefeito afastado
Zizinho Vigneron (PPS). Zizinho conseguiu ontem na justiça
uma liminar para reassumir o cargo. Para a direção da
Fundart, a transformação da fundação em secretaria seria
uma medida precipitada e arbitrária do Executivo, que não
teria apresentado números que justificassem a extinção da
instituição, por onerar o município.
"É uma atitude precipitada. Se houvesse realmente a
necessidade de se criar uma secretaria e extinguir a
fundação, teria que haver audiência pública antes de o
projeto ser votado", disse a assessora cultural da
Fundart, Olívia de Carle Gottheiner. "Foi uma atitude
arbitrária, a população não foi ouvida". Henrique
Santos foi procurado anteontem e ontem pelo ValeParaibano para
comentar o assunto, mas não retornou as ligações. A
assessoria da prefeitura informou ontem que o recurso para
derrubar a liminar que impediu a votação do projeto ainda
não foi julgado.
VERBA - A Fundart é uma fundação de direito privado criada
há 13 anos, mantida pela prefeitura, com dotação
orçamentária de R$ 1,2 milhão por ano. No ano passado, a
instituição atendeu uma média de 600 pessoas em 23 cursos e
oficinas. "Por enquanto a nossa situação está
inalterada; continuamos com nossas atividades e mantendo
alguns cursos em caráter provisório", disse a Olívia
Gottheiner. Desde janeiro, foram repassados pela prefeitura R$
136 mil. A verba, de acordo com a assessora administrativa da
Fundart, Maria Lúcia Costa Mello, foi utilizada para
pagamento dos 43 funcionários registrados e os quatros cargos
comissionados, além de pagamento de despesas de manutenção
de fevereiro e abril e encargos sociais dos últimos dois
meses. Para os cursos deste ano, a fundação fez contratos
com pessoas que haviam inscritos projetos. Elas estão
ministrando as aulas recebendo apenas o valor da taxa de
inscrição de cada aluno. Foram inscritos este ano 42
projetos para apreciação do Conselho Deliberativo. Até
agora foram inscritos 64 alunos para os cursos implantados
provisoriamente de cerâmica, balé, teatro, alongamento para
Terceira Idade, bijuteria em metal, sapateado, técnica vocal
e desenho. (Fonte: ValeParaibano)
III
Festival do Camarão de Caraguatatuba
Homenagens aos pescadores, atrações
culturais, recreativas e camarão barato para o público
A partir do dia 15 de maio estará liberada a pesca do
camarão. E para comemorar os pescadores da cidade estarão
reunidos no Entreposto de Pesca, na Praia do Centro, para
realizar a III Festival do Camarão de Caraguatatuba. Neste
dia, muitos pescadores irão sair, finalmente para a pesca do
camarão. À partir das 16 horas, os pescadores participarão
de uma cerimônia religiosa "Barcos ao Mar", na qual
serão homenageados e abençoados pelo Padre Jacó antes da
saída oficial para o mar. O horário foi escolhido de acordo
com a tábua de marés, para que os barcos pudessem chegar bem
perto da praia. Além de rituais que ilustram algumas
tradições pesqueiras, a Fundação Cultural de Caraguá
preparou diversas atrações que estarão animando ainda mais
o final de semana de festa. Na abertura oficial haverá uma
apresentação da Banda Municipal Carlos Gomes.
No final de semana, entre os dias 20 e 21 de maio, não vai
faltar pratos à base de camarão e outros frutos do mar nas
barracas dos pescadores. Além de poder saborear pratos
tradicionais, como a Azul Marinho, a Caldeirada, o Peixe na
Brasa (assado na folha de caitê ou de bananeira), a casquinha
de siri, o peixe com molho de camarão, o público poderá
deliciar-se com o crocante camarão no espeto, além de
diversos salgados recheados com camarão e outras iguarias à
base de peixes típicos da região, preparados pelas esposas
de pescadores que exibem seus talentos culinários.
E também não vai faltar camarão fresquinho para comprar. É
o que garante o presidente da Colônia dos Pescadores, Isaias
Costa. "Faremos de tudo para não deixar faltar camarão.
No ano passado vendemos 14 mil quilos de camarão e ainda
faltou. Mas este ano já estamos nos prevenindo. Convidamos
amigos que pescam em outros bairros para virem participar
também, além de deixarmos alguns pescadores de alerta, para
acionarmos caso haja necessidade", declarou.
O preço do camarão ainda não está definido. A estimativa,
segundo Costa é de que seja vendido por, no máximo, R$2,50 o
quilo do camarão branco e R$15,00 o camarão branco. A venda
de camarões "in natura" e de pescado será feita
durante o dia, das 7 horas às 18 horas. Segundo o presidente
da Colônia, o preço pode ficar mais barato. Dependendo da
captura do camarão, o custo do sete-barabas, por exemplo,
pode chegar a R$1,50 o quilo.
A Fundação Cultural de Caraguatatuba também cuidou para que
a festa tivesse vários atrativos para movimentar a festa.
Haverá durante todo o final de semana apresentações
culturais com os grupos das Oficinas Culturais, como
apresentações de música, dança, performances, capoeira,
maculelê, moçambique, puxada de rede, samba de roda, sempre
à partir das 19h30. Haverá ainda uma exposição de
artesanato com diversas peças e obras de arte sobre o tema:
MAR.
Para a tarde de sábado já está programada uma gincana
recreativa para a criançada e, na manhã de domingo, uma
Corrida de Canoas envolvendo os pescadores do centro, região
norte e sul do município.

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